Afrodita, cruzando los Andes

Claudio Luis Sesín, escritor e poeta de San Fernando del Valle de Catamarca, Catamarca, Argentina, fala de poesia ibero-americana na rádio local de Catamarca e reproduz seu conteúdo no inspirado blog ‘Los Navegantes de la Cruz del Sur’.

Claudio foi colaborador da revista “Ideas para uma cultura popular” e integrou a redação do periódico cultural “El Croponopio”, do Movimiento de Escriottes por la Liberación – MEL.

Sesín publica suas poesias desde 1993, com ‘La Barbarie’ e, em seguida, não parou mais, publicando ‘El Círculo de Fuego’ (1997), ‘El Signo del Crepúsculo’ (2006) e ‘El Libro de los Poemas Casuales’ (Buenos Aires: Editorial Dunken, 2008), este último já traduzido para o português, por Anderson Braga Horta e Antonio Miranda.  

Na Folha nº 5 de ‘Los Navegantes…’, Claudio Sesín reproduz algumas poesias de Afrodite in verso, versadas para o espanhol por Eugenia Gay.

Paula Cajaty – Afrodita in Verso (2008)

NOITE ABERTA

no fim do dia
quando o sino da igreja
canta sua musica mais longa
também escuto sua voz
tardia
iniciando a noite
chamando para o escuro
e tudo fica nublado
no som da tarde
se despedindo
apagando luz
desligando
entre tanta vontade vã
saindo
pra só voltar
na saudade
quem sabe
amanhã…

NOCHE ABIERTA

al final del día
cuando la campana de la iglesia
canta su canción más larga
también escucho su voz
tardía
iniciando la noche
llamando a la oscuridad
y todo se nubla
en el sonido de la tarde
despidiéndose
apagando la luz
desligando
entre tanta vana voluntad
saliendo
para sólo volver
en la saudade
quién sabe
mañana…

Paula Cajaty – Afrodita in Verso (2008)

CONFISSÃO

meus sussurros
são derramados
em papel de carta.
quando a calma da tinta acabar
esqueça que te amo.

CONFESIÓN

mis susurros
son derramados
en papel de carta.
Cuando la calma de la tinta se acabe
olvida que te amo.

Paula Cajaty – Afrodita in Verso (2008)

MERGULHO NO DESCONHECIDO

ela se deliciava nele
com a desconstrução dos seus dogmas
com o questionamento dos seus motivos
vendo estampado por trás do olho
o brilho e o encantamento
que a enchia de tudo
que a suspirava de vida
e dava vontade de se dar pelo mundo…
ela gostava do desafio da retórica
ao qual normalmente se foge
num ambiente de conquista
mas ele enfrentava
mantinha a impropriedade das perguntas
questionava seus motivos
dando ainda mais motivo
para ela mergulhar
sempre e ainda mais
nele
nela
em tudo.

BUCEO EN LO DESCONOCIDO

ella se deleitaba en él
con la destrucción de sus dogmas
con el cuestionamiento de sus motivos
viendo estampado atrás del ojo
el brillo y el encantamiento
que la llenaba de todo
que la suspiraba de vida
y daba ganas de darse por el mundo…
a ella le gustaba el desafío de la retórica
del cual normalmente se huye
en un ambiente de conquista
pero él enfrentaba
mantenía lo inapropiado de las preguntas
cuestionaba sus motivos
dando aun más motivo
para ella bucear
siempre y más aún
en él
en ella
en todo.

Anúncios

Apresentação

Apresentação de ‘Afrodite in verso’

Cajaty Lopes, Paula Roméro
Poeta e bacharel em Ciências Jurídicas, nascida em dia de bruxas, ano de 1975.

Escrevo desde que amei pela primeira vez.
Há 18 anos, não se exaure em mim a vontade de retratar o amor.
O amor que emerge na contemplação do mar mexido, na tristeza adolescente, no vôo do beija-flor, no fluxo eterno de um rio, na felicidade aflita das mães, na malícia inocente das crianças.
Amei muito, e sempre, e com toda a intensidade possível.
Com a entrega necessária.
Pais e filhas são a razão, princípio e fim da minha existência.
Avôs e avós, as referências de infância.
Os amantes que tive, todos escolhidos pela força do seu caráter e pelo límpido reflexo de seus corações no próprio olhar, se tornaram homens dignos, notáveis, pujantes e incomparáveis, maridos excelentes, pais exemplares, com os quais me orgulho de ter compartilhado corpo e espírito. Homens a quem ainda nutro admiração, confiança e amor.
Minhas amigas e confidentes, tão poucas, tão importantes, são mulheres que venceram e continuam vencendo, quase todos os dias.
Àqueles a quem amei e que não corresponderam, fizeram parte do meu jogo da vida. Presto-lhes as reverências do competidor derrotado.
À juventude de hoje, não desejo a castidade, pois a castidade é atributo de santos e religiosos devotados à causa de nosso Mestre Jesus Cristo, e que Nele encontram a fonte de todo Amor Maior de que necessitam: o amor à humanidade.
Para aqueles que, como eu, preferem louvar a Deus experimentando na carne a força motriz da vida, desejo que escolham seus amores, amantes e amigos, não com os olhos do corpo, mas com a visão da alma. Não com a sabedoria humana, mas com a sabedoria divina. Não com a força da dominação, mas com o poder da doação, total, completa e irrestrita.
Se aqueles que amo me fizeram sofrer? Fizeram e ainda fazem, porque o amor nunca vem só. Ele não se conhece nos folguedos dos lençóis, mas na solidão das lágrimas e na superação dos obstáculos.
Então, só nos resta amar a tudo e a todos.
Apenas o corpo merece reserva a um só, tão especial que possa edificar, diariamente, um lar de paz, felicidade e harmonia.
Todos aqueles a quem amo me correspondem, cada um à sua maneira, com sua beleza particular, de sua forma especial.
Cumpre-se, então, o primeiro e o único mandamento do mundo: amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a ti mesmo.
Pois o paraíso é aqui e, quando você se der conta…
A felicidade já estará em você.

Resenha no jornal Estado de Minas

A primeira ciranda. André di Bernardi Batista Mendes, in Jornal Estado de Minas, Caderno Pensar, sábado, 21.02.2009.

“A primeira ciranda
– Com sensibilidade e vigor literário, a carioca Paula Cajaty faz boa estreia com o livro de poemas Afrodite in verso.

O processo é lento, é quase sempre doloroso e esse caminho é cheio de armadilhas. Mas uma coisa tenho como certa, é impossível fugir de si mesmo. Um poeta não deve – e nunca conseguiria, mesmo que tentasse – fugir de seus tormentos, das suas palavras que insistem, de suas asas, de seu coração pelado. A poeta Paula Cajaty, felizmente, não fugiu desta regra quase universal: ‘quando um pássaro quer voar/ele não testa não,/é na marra,/tem que acertar/de qualquer jeito/tem que se jogar/de lá de cima’.

Esta boa poeta acaba de lançar, pela Editora 7 letras, Afrodite in verso, seu livro de estreia. Como quem vai se livrando de um vestuário desnecessário, Paula vai, com seus textos, com sua verve, desnudando-se, aos poucos, para no fim das contas revelar-se, íntegra, pronta para o embate poético. Paula mostra-se, às vezes romântica, sempre solitária, quase sempre utópica, buscando ‘pontos de contato entre extremos através da própria palavra, através de uma dicção poética abrangente, marcante, cheia de altos e baixos. Coisas que só a maturidade traz.

É que Paula aprendeu, arranjou um jeito de permanecer inteira, mesmo quando se perde, ‘atrasada de si mesma’, sem exigir mais do que o necessário para compor o seu ambiente interno, para organizar os seus parâmetros, as suas perdas e as suas escolhas. Paula aprendeu, na lida, no que existe de luz e sombra no dia-a-dia, com os espinhos das curvas, a se resguardar, ‘sendo menina/que escreve tristezas/e escuta o som de tudo’.

A escritora sabe, como ninguém, que perder às vezes pode ser extremamente bom e produtivo. Pelo menos funcionou para sua poesia. Não é fácil achar/conviver com aqueles ‘pequenos tesouros roubados nos galhos da infância’. Não existe complacência nos versos de Afrodite. Paula parece que busca a síntese, a medida exata do sentimento que cabe justo em palavras escolhidas a dedo, de forma contundente. Brincando numa ciranda de afetos e tropeços, Paula costura seu tecido poético valendo-se, antes de tudo, de uma extrema sensibilidade, marcada por ‘um aprendizado de desilusões’. Paula escreve para si, como aquela adolescente que decora com rosas o seu diário de menina. E isto, no caso, não é bom, mas também não é ruim, quando o que se escreve, quando o conteúdo desse
‘querido diário’ transcende o mero desabafo, quando o texto tem a ver com a boa poesia. 

Afrodite, a deusa do amor. Paula captou muito de suas delícias. Suas seduções. Mas, esperta, não deixou de perceber a contramão, os espinhos, os cardos, as ladeiras dessa estrada sinuosa. O amor, isso Paula sente com profundo lirismo, pode descambar de forma assustadora. Com sua poesia, Paula aceita o adverso,
os avessos (in versos) que se escondem no mais florido campo de margaridas perfumadas, no mais insuspeito jardim.

Poetas guardam carinhos e distribuem beijos. Paula mostra que gosta de pitangas, de marias-sem-vergonha e gosta imensamente da noite aberta/liberta. A moça gosta de galanteios, e gosta de forma decisiva do lúbrico. O sensual serve de trampolim para ótimos poemas: ‘era óbvio, estampado na cara/que ela se
rebelava pra testar limite/que ela era assim malcriada/só pra apanhar, de leve/e sentir a rédea firme no cabelo/que ela era orgulhosa e tenaz/mas bem gostava de dar/seu braço a torcer/por trás’.

Paula esperou o momento certo, arriscou corajosamente, burilou ao longo dos anos o seu texto, escreveu, reescreveu, guardou, jogou fora o que tinha que ser jogado fora, aproveitou o sumo, rasgou o que tinha que rasgar, e encontrou boas doses de cadência e vigor. Paula Cajaty não fugiu de si mesma e, com Afrodite in verso, nos ‘convida para o fogo’. Agora, com este seu primeiro rebento literário ela pode – e deve – colher, compartilhando com seus leitores, os bons e prazerosos frutos de sua boa poesia.”

Image

clique aqui ou na imagem para ampliar

 

Primeiro eco a ‘Afrodite in verso’

 

“Mas era com freqüência que eu me lembrava de que precisava ler Afrodite, em consideração à você, e por meu próprio prazer, pois de tudo que eu li de seus escritos, não havia como esperar uma reação diferente, que não fosse um prazer à leitura.

E ontem eu acertei minha dívida. E terminei Afrodite in verso. E não posso dizer outra coisa a não ser: me emocionou, muito.

Paula, o livro é lindo. Que delicadeza cada poema. Parabéns, minha querida, mil vezes parabéns. Que bálsamo ler a poesia que derrama no que você escreve.

Ainda dentro dessa emoção, fiz uma indicação ao livro no meu blog. Espero que não haja problemas para você, mas reproduzi dois poemas do livro. Se houver, mudarei o post e retiro os textos.

Escrevo para lhe dizer apenas: muito obrigada pelo presente que você nos deu com Afrodite in verso.”

Ana Cristina Melo é contista premiada, escreve no blog Canastra de Contos.

No Youtube.com

Image 

Para abrir o ano, tenho a satisfação de apresentar o vídeo da noite de autógrafos de “Afrodite in verso”, na edição elegante e caprichada do artista Renan Cepeda.

Quem foi me ver em setembro, vai se encontrar por lá. Quem não pôde ir, vai descobrir um pouco mais do livro, vai conhecer um pouco mais da autora.

Espero que apreciem!

{youtube}4LMnfLBev70{/youtube}

 

Primavera dos Livros no Youtube e na mídia

O II Festival de Poesia da Primavera dos Livros 2008 trouxe diversos dos poetas que se destacam na cena cultural carioca. Aproveitando a deixa, postei o vídeo da apresentação de alguns poemas de “Afrodite in verso” no Youtube. A Primavera, na verdade, foi o primeiro evento cultural em que tive oportunidade de mostrar, em público, minha poesia. Meus agradecimentos à Thereza Cristina, da editora Ibis Libris, organizadora do evento e coordenadora do “Ponte de Versos”. Dêem uma força nas visualizações! Espero que gostem…

http://www.youtube.com/watch?v=qppd89P0nr4

{youtube}qppd89P0nr4{/youtube}

O Festival também foi noticiado nas mídias virtuais e impressas:

Literatura e Rio de Janeiro

– NewsFree

Flores pragas e sementes

Jornal O Dia

 


 

 

“Afrodite” é destaque na Agência Riff

Image

É com especial satisfação e alegria que informo a recém-publicada nota do lançamento de “Afrodite” no site da Agência Riff.

Para quem não sabe, a Agência Riff é a agência literária de mais prestígio no Brasil, e que possui em sua carteira os nomes dos mais famosos escritores da cena literária nacional.

A Agência é liderada pela querida Lucia Riff que, ao longo desse meu caminho pela vereda poética, soube orientar e conduzir, apoiar e confortar, numa amizade que foi se construindo aos poucos, de forma delicada e equilibrada, bem  daquele jeito suave que é só dela.

Enfim, é uma honra desmedida ver meu nome ao lado de tantos dos meus professores, dos meus companheiros de noites sem sono, de tantos amigos de prosas e versos, que me ajudam a exprimir o indizível e me ensinam, cada um com sua voz, a traduzir a vida em palavras.

Transcrevo abaixo a linda notícia:

“Paula Cajaty estréia na literatura com a benção de grandes escritores

Pela editora Sette Letras, Paula Cajaty acaba de lançar o ivro de poemas Afrodite, que marca a sua estréia na literatura. Elogiada por Adriana Falcão, Affonso Romano de Sant´Anna, Marco Lucchesi, Antonio Carlos Secchin e Fabrício Carpinejar (que assina a orelha), entre outros, Paula autografou Afrodite, em setembro, na livraria Argumento. ‘Eu às vezes sou meio descrente, mas tudo foi tão perfeito no dia do meu lançamento. Cheguei a sentir na pele uma aura de sorte e também a mão de alguém bem mais forte que eu me segurando, iluminando e abençoando meu caminho’, diz a escritora. ‘Os poemas de Paula Cajaty são lindos e sensíveis. Nunca tenho coragem de escrever poesia, porque tenho medo de não chegar lá. A Paula chegou’, conclui a nossa querida Adriana Falcão. “

Aqui, deixo meus desejos de que a Agência continue tendo muito sucesso, ajudando e encontrando escritores, poetas, romancistas, contistas – enfim, gente que vê na literatura uma ‘poesia do encontro’.