Encontros na Estação


A Editora Oito e Meio lança o livro de contos “Encontros na Estação”.

O livro é o resultado de uma oficina ministrada durante o ano de 2010 no espaço cultural Estação das Letras. A edição inclui prefácio escrito por José Castello e orelha de Suzana Vargas. Eu participo com o conto ‘Se você fosse sincera’, ao lado de amigos escritores.

O lançamento acontece no dia 29 de novembro de 2012, a partir das 19h, no Espaço Oito e Meio (Travessa dos Tamoios, 32, loja C, Flamengo). Publicam comigo: Ana Cristina Melo, Ana Cláudia Calomeni, Carmen Garcia, Creusa de Carvalho, Dag Bandeira, Daniel Ribas, Leo Villa-Forte e Tiago Franco Corrêa.

Sobre o meu conto, o José Castello comenta no prefácio:

Em ‘Se você fosse sincera’, Paula Cajaty teve também a firmeza de sustentar um enigma sem ceder à tentação de lhe arrancar a máscara. Sabendo, porém, que, mesmo assim, dele devia exigir coerência – ou enigma não seria. ‘Na verdade, a coisa estava lá. Feito sombra, latente’, diz sua protagonista, que é arrastada por uma relação amorosa cujas partes – como num vaso grego que não se pode restaurar por completo – não se encaixam. Entra aqui a importância, crucial para a ficção, do silêncio. Um escritor deve saber não só o que dizer, mas também o que silenciar.”

E sobre a minha experiência ao escrevê-lo, eu conto:

Entre a luz e a escuridão, é onde a literatura acontece – na sombra. O que se transforma em palavra é sempre infinitamente menos do que existe circundando, aprofundando ou sobrevoando cada ideia, cada parágrafo, cada história. A palavra é o que atravessa o limiar do pensamento. (…)

Pessoas e palavras: ambas atravessam da concepção à matéria, do escuro à luz, e assim transitam, na maior parte do tempo, nos infinitos estágios da claridade, entre a aurora e o crepúsculo. Assim como pessoas, são feitas de luz, sombras e escuros. As palavras revelam um pouco, nunca o suficiente. E essa é a sua única estratégia de sobrevivência.

Lado 7, da 7Letras

A Editora 7Letras, como sempre inovando em seu site e no novo blog, lança amanhã a Revista LAdo7, ou…

arte + poesia + contos + quadrinhos + ensaios + dramaturgia… em revista: (L A D O 7

A primeira edição traz os poemas visuais de Alexandre Dacosta, os contos de André Sant’Anna, Carlos Henrique Schoroder, Raïssa de Góes e Sonia Coutinho. Na poesia, tem Afonso Henriques Neto, Ana Guadalupe, Charles Peixoto, Ismar Tirelli Neto, Marília Garcia, Victor Heringer e Walt Whitman. Com a dramaturgia de Valère Novarina e Paloma Vidal, os quadrinhos de Pedro Franz, a edição fecha com o ensaio de Sérgio Bruno Martins e arte de Maria Laet.

Como a própria 7Letras adianta em seu blog, a nova revista LAdo7 marca a entrada da editora na era do livro eletrônico, pois chega com uma série de livros de poesia com a voz dos autores em áudio (em gravações disponíveis gratuitamente online).

A LAdo7 vai ser oferecida em versão impressa e também digital, abrindo espaço para a invenção e a criatividade de uma nova geração de artistas e escritores dos mais diversos gêneros, e traz também os quadrinhos e as artes plásticas para ampliar e amplificar o diálogo com a literatura e com a dramaturgia.

Para conferir a nova Revista, intrinsecamente brasileira e carioca, o lançamento acontece dia 31 de maio, na Travessa do Shopping Leblon-RJ, a partir das 19h, junto com os livros: – Sessentopéia (Charles Peixoto), Ramerrão (Ismar Tirelli Neto), Relógio de pulso (Ana Guadalupe), Água para viagem (Lorena Martins), Uma cerveja no dilúvio (Afonso Henriques Neto), e A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora (Gregorio Duvivier, já na segunda edição).

Mais informações na sede da Editora (r. Goethe, 54, Rio de Janeiro rj), no tel. (21)2540-0076 ou no email da super querida Larissa (divulga@7letras.com.br). Para tuitar, @editora7letras e para curtir: http://www.facebook.com/7letraseditora • 

Amanhã eu apareço lá!!!

Affonso Romano traz novidades

 

Para ‘Ler o Mundo’ com Affonso Romano de Sant’Anna

Os textos de orelha e quarta capa evidenciam a importância da reflexão sobre a leitura pós-internet-móvel: Como queremos Ler esse mundo que se apresenta, em 140 caracteres, em milhares de sites e bytes e arquivos digitais?

Affonso exibe o que fez, mostra o seu bom combate no ocaso do século XX, no limiar do XXI. Talvez hoje a leitura esteja mais difundida: afinal, para interagir com a internet, a leitura é fundamental.

Mas que leitura será essa, entre tanta superficialidade e frivolidade, que permitirá as reflexões relevantes e imprescindíveis para a nossa caminhada civilizatória?

Hoje temos as Luzes. Mas o que é que elas andam iluminando, para onde está indo o seu facho?

Para responder isso e outras indagações, só lendo o mundo – e, se possível, na companhia de Affonso.

“Na condição de poeta, cronista e crítico literário, Affonso Romano de Sant’Anna sempre esteve comprometido com a leitura e a difusão da literatura. Esse pacto poderia ter sido suficiente, satisfazendo amplamente seus admiradores. Mas o escritor
assumiu a direção da Biblioteca Nacional e reorientou as ações dessa instituição, desvelando sua vocação de formadora
de leitores e focada na qualificação do público da literatura. Bastou? Não. Affonso Romano de Sant’Anna avançou: refletiu sobre sua prática e questionou seu objeto – a leitura. O resultado dessa trajetória é Ler o mundo, fruto da experiência,
da maturidade e da inteligência de um dos maiores criadores da literatura brasileira.” – Regina Zilberman

“Das efetivas qualidades de Affonso, destaca-se a do administrador que deixa pensar e fazer. Sem ele à frente da FBN, o Brasil teria chegado tarde às discussões em torno das políticas de leitura. Com ele, através do Proler, pôs-se em marcha a primeira construção de Política Nacional de Leitura. Desde então, nunca abandonou a reflexão sobre o tema, na voz do poeta e do teórico. Seu testemunho vivo, nas crônicas e conferências, pode dar a dimensão de por que o Brasil e seus pesquisadores são referência na América Latina. Com este livro, Affonso Romano de Sant’Anna resgata uma geração de brasileiros que foi fundamental para a atual sistematização de políticas de leituras, enfim, assumida pelo Estado.” – Eliana Yunes

“O poeta Walt Whitman já disse que nossa tarefa é ler o mundo. O novo livro de Affonso é uma espécie de renovação e chamamento para essa tarefa tão humana. Ao mesmo tempo que nos sensibiliza para a experiência da leitura na vida de cada um, o autor aponta para a nossa tarefa política e compromisso social na construção de uma nação de leitores.”Fabiano dos Santos Piúba

“Como não crer? Affonso lê e escreve como protagonista essas experiências no Brasil que nos deixam em permanente processo de transformação” Francisco Gregório Filho

Texto de divulgação do livro

Neste livro, o autor que tem uma notável experiência na área do livro, da leitura e da biblioteca oferece um amplo painel do que é LER O MUNDO. É uma obra onde o cronista, o ensaista e o administrador cultural se articulam para ler o ontem e o hoje a partir do espaço brasileiro. Seu olhar se estende de Mulungu (Paraiba) e Morro Reuter (RS), Faxinal do Céu (Paraná) indo à França, Colômbia, Egito, Alemanha, Nova York, Rússia etc.

Presidente da Biblioteca Nacional durante seis anos ( tendo passado por três presidentes da república e seis ministros da cultura), presidente do Conselho do Cerlalc (Centro Regional do Livro e da Leitura para América Latina e o Caribe), criador do Sistema Nacional de Bibliotecas e do Proler, Affonso Romano de Sant’Anna sempre batalhou pela institucionalização de uma “política cultural”.
 

LER O MUNDO é uma obra em três níveis: a crônica, o ensaio e o depoimento histórico. Assinale-se logo que é também um obra transdisciplinar. Aí estão as relações entre cinema e leitura (“Central do Brasil” ,”Ararat”, Narradores de Javé,”etc.), leitura e antropologia (“Ensinando Hamlet aos primitivos”), leitura e religião (“Como Deus fala aos homens”), leitura e terapia ( “A cura do real pela ficção”), leitura e ecologia ( “Ler a natureza”), leitura e política (“Biblioteca, alguns prefeitos são contra”), leitura e tecnologia (“Leitura como Second Life”), e outros tópicos como leitura e educacão, leitura e vida social, leitura e guerra, cultura e televisão, mas sobretudo, a constatação de como a leitura modifica a vida das pessoas e das comunidades.

Na terceira parte do livro Affonso Romano de Sant’Anna registra o que foi assumir a Biblioteca Nacional em plena crise decorrente do desmantelamento feito pelo governo Collor. Narra como a primeira reunião da diretoria da FBN terminou no telhado do prédio para que seus auxiliares vissem a extensão e a profundidade dos problemas a serem enfrentados. Conta o que foi enfrentar o corporativismo retrógrado, a luta para restaurar o prédio central, conseguir novas salas em outros prédios, iniciar a recuperação do Anexo, modernizar a informática na instituição, criar até um conjunto coral e ver a frequëncia de leitores multiplicada. Isto além de desencadear a exportação da literatura brasileira, preparar a Feira de Frankfurt (Alemanha) e o Salão do Livro (França). Pouco tempo depois de assumir a Fundação Biblioteca esta já era considerada como a instituição federal que melhor funcionava no Rio de Janeiro e foi considerada pela Fundação Getúlio Vargas um “case” de sucesso. Pessoas que haviam roubado livros da instituição começaram a devolvê-los e aposentados se ofereciam para trabalhar de graça na FBN.
 

Enfim, em LER O MUNDO Affonso Romano de Sant’Anna toca nos paradoxos da cultura brasileira: enquanto os bandidos e marginais da favela do Pereirão pediam a expansão do Proler, o ministro da Cultura Francisco Weffort fazia tudo para desestabilizar o programa. Nesse livro explica as causas de sua demissão (“Que ministro é esse?”), publica editoriais dos jornais da época (Jornal do Brasil, Globo, Correio Braziliense, Estado de São Paulo, etc) e transcreve a carta de Jose Saramago comentando sua saída de FBN.
 

Talvez resposta que Affonso Romano de Sant’Anna deu a James Billington, diretor da famosa Biblioteca do Congresso dos EUA, possa sintetizar a razão de seu sucesso e da equipe que com ele esteve à frente da FBN. Indagado insidiosamente pelo diretor da maior biblioteca do mundo, quais os maiores problemas na direção da Biblioteca Nacional do Brasil, ARS respondeu: “Eu não trabalho com problemas, trabalho com soluções”.

Pensa que acabou? Não acabou, não… Tem mais coisa chegando por aí.

Affonso ainda conta que acabou de receber o seu volume de ‘Crônicas para Jovens’, da editora Global, antologia organizada por Maria Antonieta Cunha.

Uma das coisas que eu mais gosto no Affonso é isso: ele não pára. Seria algo assim como uma aula de aeróbica intelectual ininterrupta… E haja fôlego para acompanhar!

 

Mais:

http://literaciaaffonsoromano.blogspot.com/

http://quepaiseesteolivro.wordpress.com/2010/08/02/affonso-romano-na-cbn/